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Esportes, Mundo

30 anos do tetra.



Trinta anos do tetra, o único dos títulos mundiais conquistado de maneira indiscutível, irretocável, invejável, parece que foi ontem, lembro-me perfeitamente daqueles dias. A partida contra a Itália havia sido complicadíssima, a squadra azurra tinha uma seleção respeitável, aliás, a única que enfrentamos na campanha do tetra. Depois de passarmos por Paolo Rossi, Cabrini, Bruno Conti entre outras feras, não haviam sombras de dúvidas de que nenhuma força deste mundo seria capaz de nos parar. Na semifinal a Polônia não dava nem para nos divertimos. O craque do time, Boniek parecia um guerreiro perdido em uma batalha inútil contra um inimigo muito mais poderoso. Ao final do primeiro tempo com a vantagem de três gols a zero, os pensamentos, as apostas e as discussões giravam em torno de quem seriam nossos adversários na grande final: Alemanha ou França. No segundo tempo os donos da copa apenas deixaram o tempo passar para não humilhar ainda mais os simpáticos poloneses, ainda assim Éder acertou uma bomba em uma de suas especialidades, as faltas, deixando os polacos quatro gols em desvantagem.  Para não passar em branco no placar, Boniek ainda ganhou de presente um pênalti no fim do jogo. Um verdadeiro gol de honra, afinal os polacos poderiam vangloriar-se de terem balançado as redes dos melhores do mundo. Após o jogo a festa tomou conta das ruas do país, de norte a sul, do Oiapoque ao Chuí, ninguém se importava se alemães ou franceses seriam os vice-campeões. No mesmo dia soubemos que os alemães haviam superado os franceses depois de cento e vinte minutos de futebol e uma disputa de pênaltis. Se alguém ainda duvidava do tetra, os temores extinguiram-se, pois germânicos cansados da batalha de Sevilha não seriam adversários a altura. A grande final em Madrid foi como era de se esperar. Os brasileiros sob o comando de Zico, Falcão e o Magrão deram uma lição de bola nos cansados alemães. O placar de três a zero não refletiu o jogo, só de bolas na trave foram quatro. Quem não lembra com orgulho e emoção o doutor Sócrates erguendo a taça da FIFA e consagrando uma geração espetacular.


O texto acima é uma ficção daquilo que poderia ter sido a nossa maior conquista nos campos de futebol. No mês de julho fazem trinta anos da tragédia do Sarriá e quem viveu aquela época sabe da comoção que tomou conta das ruas do país após a fatídica derrota para a Itália. Aqueles que gostam ou não de futebol, com certeza lembram-se onde estavam nesse dia, o que faziam (aliás, todos sabem o que faziam, todos estavam ligados na TV de olho naquele esquadrão mágico) e como reagiram após o jogo.


Este blogueiro tinha treze anos de idade e era bem mais fanático por futebol do que nos dias atuais. O jogo foi assistido em um apartamento de frente para a praia do Leblon, junto com um amigo na casa da sua tia. A confiança era total antes do jogo e ninguém esperava outro resultado além da vitória. Aquele time não podia ser derrotado por nada deste mundo, a certeza era uma só.


Quando Rossi fez o primeiro gol, lembro-me que o clima de confiança era o mesmo. Já havíamos levado gols em outras partidas e a virada não demoraria. O craque corintiano, Sócrates empatou o jogo, mas o Brasil sofreu nova virada ainda na primeira etapa. Pela segunda vez na copa, o Brasil descia para o vestiário no intervalo, derrotado. Já havia acontecido contra os soviéticos, quando revertemos o placar com dois gols no segundo tempo. Na segunda etapa o rei de Roma, Falcão empatou com um belo chute de fora da área. Mas então veio o que ninguém esperava. Após uma cobrança de escanteio, a zaga amarelinha falhou e a bola sobrou para o “bambino d’oro” que fez o terceiro dos italianos. Minha memória não falha até hoje, a ducha de água fria dentro da casa em que assistíamos ao jogo, quando Rossi fez o terceiro e fatal tento. Parecíamos perceber que aquela situação não era normal. O Brasil de Zico, de Falcão, de Sócrates, de Leandro, de Júnior não poderia levar três gols em uma mesma partida. Havia um clima de tensão, de medo, que ainda não havia ocorrido em nenhum momento daquela copa, no íntimo sabíamos que alguma coisa não ia bem naquele dia. No último minuto uma cabeçada a queima roupa dada pelo doutor Sócrates foi salva pelo veterano Dino Zoff em cima da linha. Naquela altura o clima era de enterro, várias pessoas choravam dentro da casa, inclusive este blogueiro. Ao apito do árbitro um silêncio sepulcral instalou-se no ambiente. Não tenho dúvidas que o mesmo aconteceu em milhares de lares brasileiros. Ao sairmos para a rua, a festa que deveria estar naquela tarde ensolarada tinha sido cancelada. As pessoas sentadas no meio fio das ruas choravam copiosamente sendo amparadas por amigos, familiares e até desconhecidos. Outro detalhe da qual me recordo perfeitamente foi algo que uma das tias do meu amigo, Márcio, me falou ao fim do jogo. Ao ver-me sentado no chão da sala, em prantos ela aproximou-se e tentou me consolar:
– Não fique assim Carlos, você ainda é muito novo e com certeza ainda verá a seleção do Brasil ganhar um mundial.
Eu fiquei em silêncio, nada neste mundo que qualquer pessoa me falasse iria me consolar. Eu não chorava por medo de nunca ver o Brasil ser campeão. Meu pranto tinha como fundo a plena consciência e certeza absoluta de que nunca mais haveria uma seleção genial como aquela do mestre Telê.


Naquela copa da Espanha, apenas duas seleções poderiam ser as legítimas campeãs do mundo, o Brasil ou a Itália. A grande frustração de termos sidos eliminados pelos azuis, foi o fato da Itália ter feito uma campanha pífia na primeira fase da copa. Em três jogos os Italianos empataram três jogos e se classificaram graças a um empate com gols contra a seleção Peruana. Eu costumo a dar a seguinte explicação para aquela copa. Em uma escala de zero a cem, o Brasil estava no nível máximo, a Itália vinha em segundo, talvez com 60, em terceiro vinha qualquer outra seleção com 1 ou talvez 2. O Brasil e a Itália sobravam naquela copa, embora o escrete canarinho fosse muito melhor do que o da squadra azurra. Mas o que não podemos negar ou esquecer é: o time italiano era muito bom também.


A base da seleção italiana naquele ano era a poderosa Juventus de Turim. Vários craques desfilaram naquele time, temos que reconhecer. A zaga era sólida e com excelentes jogadores, a começar por Dino Zoff, o veterano goleiro da velha senhora e titular absoluto do gol italiano. Completavam a zaga Antonio Cabrini, Gaetano Scirea e Claudio Gentile, todos jogavam na velha senhora. Do meio campo para a frente existia um desfile de excelentes jogadores e alguns craques. Franco Causio, que viria a ser grande amigo do Zico, Giancarlo Antognioni, Bruno Conti, Marco Tardelli, Massaro, Bergomi e Baresi (três jogadores novinhos que ainda iriam dar muito o que falar), Francesco Graziani e de quebra Paolo Rossi que simplesmente arrebentou naquele ano. Ainda haviam outros atletas de menor expressão que faziam parte daquele time (Oriali, Collovati, Altobelli,Marini, Dossena e Vierchowod) mas a turma da primeira listagem era de arrepiar. Um senhor time sem sobras de dúvidas.


O mundo perdeu um dos maiores gênios do rock. John Lord foi um dos fundadores do Deep Purple e foi um inovador no cenário do rock com seus sons tirados de seu teclado.


TROFÉU VAI TOMAR UM UUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUU

Para este blogueiro. Algumas coisas ficam em nossas mentes e nunca esquecemos. Naquele longínquo ano de 1982 assistindo o jogo entre Itália x Peru, pela primeira fase da copa, o narrador comentava que o técnico Enzo Bearzot havia declarado que só ficaria no comando da Azurra, caso a equipe conquistasse o título mundial. Na época menino e sem respeito eu comentei em alto e bom tom: Pode ir se despedindo então vovô !

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