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Brasil, Esportes

O caso Bruno



Não se pode culpar uma instituição pelos seus funcionários. O que eles fazem fora do ambiente de trabalho não interessa a empresa desde que a imagem da contratante não seja denegrida. O goleiro Bruno já havia se metido em várias confusões desde que assumiu o posto número um no gol do Flamengo. Há relativamente pouco tempo ele e outros jogadores andaram se esbofeteando com garotas de programa depois de um jogo em Minas Gerais contra o Galo. Esse ano ele ainda deu uma declaração polêmica ao se referir a briga de Adriano e a ex-noiva do imperador com algo do tipo: “Quem nunca bateu em mulher?” Até que se prove o contrário, Bruno é inocente. Mas com as declarações e depoimentos de envolvidos e pelo que vimos até o momento, o cara esta mais encrencado do que calhambeque em atoleiro. Não emito opinião pois não sou DEUS e o próprio Bruno ainda não prestou declarações. É importante que ouçamos todas as partes. O tempo passa e os valores mudam, aliás tudo muda. Lembro-me do início dos anos 80. O Mengo tinha um timaço, um dos jogadores era Adílio, que a torcida chamava-o carinhosamente de “Neguinho”, um craque criado na cruzada São Sebastião, no bairro do Leblon onde eu residia. A entrada dos fundos do clube da qual eu frequentava era dentro da favela. Eu passava tranquilamente e não era incomodado, aliás nunca fui durante o tempo em que frequentei as dependências da Associação Atlética do Banco do Brasil. Eram outros tempos, época da ditadura feroz e o tráfico de drogas quase não tinha espaço na vida carioca, a cocaína era droga de rico. O camisa oito da Gávea cresceu ali nos anos setenta. Nessa época crianças jogavam bolas nas ruas e praticamente não existiam amiguinhos que trabalhavam como olheiros ou gerente de bocas nas favelas. É uma das explicações poque a geração de Zico, Dinamite, Falcão entre outros não frequentavam festinhas regadas a drogas e garotas de programa, é claro que poderia haver um caso ou outro isolado. O profissionalismo era maior. Hoje em dia essa geração foi criada em favelas, viram seus vizinhos e melhores amigos serem contratados pelos traficantes. O garoto que não tinha nem roupa para vestir e de repente se enxerga ganhando rios de dinheiro, comprando coberturas nos bairros mais chiques e tendo a mulher que ele quiser. O resultado é essa mistura explosiva, nem todos tem cabeça boa para aguentar o tranco e acham que estão acima de qualquer lei. Vem as festas regadas a drogas e as garotas de programas, ou as chamadas “modelos”, em busca de algum mané milionário para arranjar uma barriga e consequentemente uma pensão gorda. Bruno é mais um garoto pobre que se viu milionário de uma hora para outra e que acha normal bater em mulheres, assim como estrelas do futebol que acham normal sair na capa de jornais possando com seus antigos amigos de infância empunhando AR’s-15 e AK’s-47. Não é coisa de Flamengo como todos dizem, ou brincam. Em qualquer clube do Brasil hoje em dia existem esses tipos e o mais preocupante é que em número predominante. Ao notar a calma do goleiro, treinando com os colegas e sorrindo, dando entrevistas dizendo que torcia para que a garota aparecesse viva eu comentei com um amigo:
– Ou realmente é inocente ou então é um completo psicopata!
Com o tempo a verdade aparecerá, torço para que Bruno seja inocente, arrume outro clube para jogar e tome uma nova direção em sua vida, porém pelo que temos visto é muito difícil que ele não tenha alguma culpa. Se tiver, então que seja punido de forma exemplar pela justiça.
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